sábado, 10 de janeiro de 2009

Poema para Rosa


Acorda Rosa!
Faz alguma coisa por ti,
Não vês que o mel que produzes
Sofre recusas sem fim!

Presenteias com teu mel,
Retribuem-te com fel,
A tua alma por ti lançada,
Retribuem-te com uma facada.

Escreves com tua alma
Respondem-te com neuronios
Guarda-a então pra ti mesma
Não a enxergam os homens.

Tornam-te as costas, tratam-a como lixo
Cantas belas sinfonias, para surdos ouvidos
Preferem novelas mexicanas, fáceis
E, perecíveis.

Naturais, as flores que ofereces
Transgênicas, a que apreciam e crëem
Coloca-as debaixo dos travesseiros
Preferem as do salão, todos vëem.

Imensurável, o amor que ofereces
Pequenas, as mãos que recebem
Ofereces verdades, deixa-as nuas
Preferem as mentiras, que envaidecem.

Vês o verdadeiro
Idealizam-o por inteiro
De verdades és feita
E não cabes neste mundo,
Que de mentiras se enfeita.

Não verta tuas palavras
Para quem as trata com fútil deleite
Pois tuas palavras são desenhadas
Com o teu sangue fervente.

Não exponha teu brilho a um mundo
Que na fogueira de vaidades se queima
Onde vale mais a pirita, famoso “ouro do tolo”
De brilho falso, a fraca alma se enfeita

Ofereces tua gruta para o leite
Preferem folhas usadas
Em cubículos nas madrugadas
Vertem sozinhos seus deleites

Teus sentimentos mais profundos
Mostras pra este mundo
E este sem cuidado nenhum,
Ri de ti, com desprezo.

Lembra-te, és grande
Maior do tudo que já vistes
Ser que tudo engloba
Não cabes em nada que existe

Verdadeiras, as caricias que descreves
Mentirosos, os afagos dos outros
Ofereces manjares dos deuses
Preferem o milho dos porcos

Doce, é o mel que derramas
Verdadeiros, profusos
Amargas, as lagrimas que escorre
Desperdiçadas, não derrubam os muros.

Amargas sozinha, desperdício do teu amor
Amargas sozinha, dentro de ti,
Dentro de ti unicamente
Amargas sozinha, a tua própria dor

E nunca te esqueces
Que a Florbela estava certa quando falou, que
és “Alguém que veio ao mundo pra te ver
mas que nunca que te encontrou...”.

(Escrito em 17 novembro, 2008)

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