No final, somos todos personagens neste grande palco da vida. Representamos papeis que a vida nos impõe, aqueles que nos garantem aplausos, ou que aplaudiríamos estivéssemos nós na platéia. Agimos assim sem nos apercebemos, guiados por forcas que desconhecemos e ingenuamente julgamos ser movidos por nossa própria vontade. Talvez seja por isso que sejamos acometidos de um grande constrangimento quando alguém retira a mascara e tem a coragem de interpretar seu próprio papel. Não raramente, reconhecemos parte de nós naquela performance sem glamour – como a maioria das pequenas verdades – e disfarçamos com risos nervosos, tal como estivéssemos assistindo a uma ópera-bufa. Não nos damos conta que cedo ou tarde, também teremos que interpretar o nosso ultimo e mais importante papel – interpretar a nós mesmos. E quando este momento chegar, não haverá espectadores. Ao cerrarem-se em definitivo as cortinas, o homem atrás do personagem estará sozinho. Ele, e somente ele é o ator e espectador ao mesmo tempo .Pergunto-me se sendo ele o seu próprio espectador como reagirá a este seu ultimo ato. Se com aplausos, se com risos ou se até mesmo, com vaias. Pena nunca sabermos. Neste ultimo ato, as respostas , se existem, permanecem sempre nos bastidores - vedado ao público.
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