Perdoem-me se emudeço às vezes. Ê que sou um “fracasso biológico”. Depois de tanto tempo a caminhar nesta vida, somente agora estou aprendendo a não agir como suicida...Antes, ao sentir o perigo, lançava-me tal como uma kamikaze tentando destruir a fonte da dor e no processo destruindo-me também. Agora, estou aprendendo a reconhecer quando a fonte da dor é muito maior que eu, e a voltar sobre os meus passos à procura de proteção. Esta proteção tenho achado-a ao evitar visitar lugares que me machucam, olhar luzes que me cegam, ouvir vozes que me ensurdecem. Tudo isto evita aviltar os meus sonhos e no processo, eu mesma, pois não me vejo continuar a caminhada sem eles. Já fazem parte de mim, fazem parte do meu destino. Por este motivo, de vez em quando, quando o que vejo ou escuto me parece doloroso demais, me perco na escuridão e no silencio. Assim, tal qual um urso polar a hibernar, esperando que passe o inverno e a primavera volte ao mundo. Não o faço por escolha consciente. É puro instinto de sobrevivência. O instinto mais básico do animal que sou.
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