Quantas vezes deverei renascer,
Se não importa quantas vidas,
Serei sempre o mesmo ser?
Quantas vezes terei que me reinventar,
Se por mais que o faça,
Nada há que me faça mudar?
Quantas vezes tentarei me achar
Se me encontro sempre no mesmo lugar,
Além-mar, da minha alma – o lar?
Quantas vezes, partir-me-ei em pedaços
Se é certo que remendarei os cacos,
Para de novo me encontrar?
Quantas vezes terei que partir,
Se na soleira da porta,
Sempre deixo-me a mim?
Quantas vezes terei que fugir,
Se fujo de tudo,
Mas não fujo de mim?
Quantas vezes gemerei no escuro,
A lançar no ar abraços e beijos mudos,
Se ao amanhecer, o desejo enterro profundo?
Infinitas vezes... Descubro-me incompreensivél.
Vencendo e derrotando a mim mesma,
Eu, invencivél.
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