Não. Não sei. Não sei explicar. Enigma de luz perdido no ar. Ninguém vê, ninguém sabe. Só eu. Eu e meu grande segredo, a me resgatar do degredo, a me tirar - ainda que por segundos - todo e qualquer medo. É a meia noite, a meio da noite nua, que os raios do meu sol acariciam - me como dedos. Fonte tardia de vida, mostra a mim a luz sua em ângulos desmaiados, como pássaro prateado, disfarçado numa quieta paisagem lunar - horizonte inalcançável . Sol do meu destino, a iluminar- me o caminho, nesta louca viagem minha, sem porto, sem cais, sem sina. Breve visão, acaricia-me, descaminha-me, cálidos raios a pintar de cores, esta insólita vida minha. Que sem saber, penetra-me a carne tal como faca - amolada, encantada, embriagada - e faz-me acordar. Não. Não sei. Não sei explicar. Enigma de luz perdido no ar. Sol da meia noite. Sol do meu acordar. Por segundos, adormece- me as dúvidas, cura-me as feridas, desfaz-me as guaritas, estremece – me com caricias, faz-me suspirar. Não. Não sei, não sei explicar. Enigma de luz perdido no ar. “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” - disso ninguém pode discordar. Mistério sempre háverá. Enigma eu, enigma Tu. Tu & Eu. Enigma de luz perdido no ar. Enigma a se desvendar.
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