Amo assim, num eterno turbilhãoVales e cumes, geleira e vulcão
Sem rotinas, sempre em contradição
Sem direção, timão e nenhuma condição.
Amo assim, de forma anormal, paixão, talvez doença
Tragada por ardentes vagas de emoção, atéia crença
Onde nada é normal, nada igual, ainda assim tão natural
Como um céu sem limite, e ainda assim, que o toque o acredite.
Amo assim, sem legendas, tags, sinônimos,
Ou talvez, perfeitos opostos de antônimos
Não, não há definição possível, para algo tão presente, intenso e invisível
Amor e desamor, faces do mesmo ser indivisível.
Amor enraivecido, pela impossibilidade do ser, do ter, do tocar
Urgencia necessária, assim, como se precisa do ar
De uma forma automática, sem pensar, impele-me a correr, fugir, voar
A sorrir, morrer de prazer, uma urgência de ter, de conhecer, o que nele há.
Um amor assim, sem destino, às vezes, muitas, com desatinos
Amor sem causa, ou por todas as causas, dá-me asas
Que enfurece-me, desmonta-me, estremece-me
Devora-me, abranda-me, enlouquece-me.
Extasia-me, faz-me menina, messalina, masoch, sade
Que derruba minhas torres, atravessa minhas pontes
Ontem, antes e adiante, independe da minha vontade
Não me reconheço no espelho, poe-me de joelhos.
Amor que chegou e ficou, culminou-me e encharcou-me
Assim... Sem aviso, sem previsão
Que me deixou assim
Prisioneira de uma ilusão.
...
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