
A verdade, é que já não sei mais o que dizer. Sinto como se durante todo este tempo eu tivesse travado um dialogo de surdos comigo mesma, ou com o mundo. Um monologo, melhor dizendo. Eu falando pra mim mesma, num espelho. Agora, começa a aparecer este sentimento de que, ou já o tudo foi dito, ou o que o tudo ainda resta por dizer. Parecem opostos, mas os dois sentimentos convivem lado a lado. Com a mesma intensidade. São de tal forma intensos e contrários que neutralizam-se paralisando-me, silenciando-me... Na verdade, a ambas. A mim, e a quem vejo no espelho. Hoje, fitamo-nos silenciosas como se a dizer: "Ok, agora é para valer, paremos com os gritos indiscerníveis e as obscuras figuras de linguagem. Chega de mascaras ou de maquiagem. Que digamos uma a outra claramente, olhos nos outros, o que de fato queremos dizer..." É como se agora fosse chegada a hora da verdade. Mas não hoje. Não ainda. Continuamos ambas silenciadas pelo cansaço da luta e pela duvida, pois não sabemos se a verdade devemos dizer. Sabemos que vai doer, e sendo assim, procrastinamos mais uma vez, amanha quem sabe... Amanha talvez saberemos o que fazer...
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