
Verso e reverso, cara e coroa,
Trago em mim, tudo que se sente,
Errado ou certo, sadio ou doente.
Sol do meio-dia e eclipse, o fosco, o brilhante,
Trago me mim, a lama e o diamante,
Se é parte da vida, em mim parte se esconde.
Dentro de mim, a vida e a morte,
Sonhos do suicida, a ira do homicida,
A luta e o desprezo pela vida,
Teresa de Calcutá, kamikase, Hitler, Ghandi.
No meu peito encravados, trago facas, esporões,
Gritos, sussurros, palavrões, de amor declarações,
Digo e desdigo, presenteio-me, imponho-me castigos,
Sussurro ou berro, belo ou cruel, é assim que sinto.
Troco segredos com os mendigos, drogados, ladrões,
Nas esquinas enlameadas das ruas, nos escuros vãos,
Ando de mãos dadas com anjos e querubins,
Em idílicas alamedas perfumadas de jasmins.
Tenho Romeus e Julietas, Otelos e Desdemonas
Matando, morrendo, enlutados, enciumados,
Vivendo em mim abraçados, desesperados,
Todos eles, lutando por um espaço.
Santa e a louca, a parva e a douta
Fel e mel moram na mesma boca
E se por amor brotam gritos umedecidos
Por desamor, ensandecidos tornam-me rouca .
Dentro de mim, fieis esposas, ninfetas virgens,
Carentes adulteras, freiras em cio, meretrizes,
Em quartos emsombreados, luzes avermelhadas,
Banham-me a pele,
Espalhando-se de abajures baratos.
E se por amor, tornei-me louca,
E se nestas palavras, outras tantas, também loucas
Acusem-me e condenem-me, sem julgamento
Mas como eu, nunca outra.
Embriago-me nestas letras de absinto,
É porque, só aqui encontro asilo,
E nas manhas de ressacas do exílio,
Águas salobras engulo para alivio.
Não sabem, mas sou a face oculta da lua,
Quando amo, nua
Explodo centelhas de mil cores que fulguram
Mas, versos e reversos que aqui aninho
Aviso - é preciso coragem pra desvendar
Pois que toda rosa purpura
Tem também seus espinhos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário