
Não sei o que acontece, mas não tenho conseguido escrever. Falta de oportunidade e de ambiente propicio são fatores, mas não são os únicos. No entanto, não faltam sentimentos, tampouco, a palavra pensada, sentida. O que falta, me parece, é a energia das palavras escritas, como se elas todas já estivessem gastas, cansadas, depauperadas, repetidas. Elas continuam vindo-me incessantemente a mente, aos borbotões como sempre, mas por alguma razão, não conseguem alcançar os dedos. Param, ou melhor, desmaiam na altura do peito e é como se chegassem já mortas.Como as águas de um riacho que ao correr por um leito arenoso e poroso, infiltram-se no peito da terra e desaparecem da vista sem nunca tornarem-se um rio caudaloso e sem nunca chegar ao mar. Mas lá dentro do seio da terra, continuam correndo como rios subterrâneos. Na verdade, não sei. Estou apenas divagando e aproveitando a centelha de energia que subitamente me apareceu nas mãos. Quem sabe talvez, o silencio das palavras seja apenas fruto do peso dos anos, ou ao fato delas parecerem estéreis. Talvez não sejam, mas nunca o sei por certo. Sempre volto a elas por uma forca que não conheço a natureza, mas que parece que nunca vai me deixar, apesar destes hiatos. O certo é, que apesar disso, os sentimentos silenciosos que elas falham em descrever, continuam lá, intactos. Prova irrefutável de que de fato, os sentimentos vão além das palavras. Estas, não passam de símbolos, símbolos imperfeitos dos sentimentos que tento descrever. Talvez, seja tempo de uma nova mídia, o tempo de novos símbolos, tempo de invenção e reinvenção... Um tempo de recriação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário