terça-feira, 9 de março de 2010

Naufrágas palavras



Escreveria um poema de amor se pudesse...mas já não mais consigo...talvez quem sabe nunca mais – é o que às vezes temo...ou talvez não, e retorne à eles como antes...impossível prever. E foram tantos os que já escrevi... todos eles, para um único homem. E foram muitos, e foram loucos, e foram outros, sempre os mesmos, embora outros. Talvez as palavras estejam apenas cansadas – por passarem tanto tempo (dois longos anos .... e nunca houve dois anos tão longos como esse) como náufragas em mar hostil parecem que afogaram -se tão profundamente que já não as consigo resgatar. Talvez, se pelo menos pudesse falar o que sinto... mas então, decerto sairia apenas palavras tristes...e não precisamos mais de palavras tristes... (particularmente quando não são belas). Sem talento na arte de escrever muito menos na da sedução, tenho que me contentar com a arte de sentir o amor – não vive-lo. E a constatação - que se vão as palavras mas não se vai o amor. Sorte minha, eu diria: pois nunca haverá outro amor a sentir. Que seja então este o que eu sinta até o fim. Mesmo sabendo, que ele nunca chegará a vir.

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