sábado, 27 de março de 2010

No entanto,


... preciso da veemência
que tuas palavras revelam,
da urgência despudorada dos teus versos,
das tuas rimas viscerais e indecentes;
preciso da contundência do teu verbo
a criar imagens em minha mente.

preciso que me leves ao delírio,
pois no bater de um coração afrontado
redescubro a magia que existe em mim.
preciso habitar tuas entranhas
para que eu possa me sentir
caça abatida entre os dentes.

preciso sentir tuas presas
cravadas em minha carne quente
e tuas garras a arranhar meu ventre.
preciso não mais carecer
do silêncio das madrugadas,
preciso adormecer em teus braços
e acordar como se fosses hospedeiro,

preciso sentir o teu hálito,
te sentir por inteiro
e em teus lábios sorver a peçonha.
preciso morrer de paixão,
para depois renascer poesia,
palavras obscenas que brotem de tua mão.

preciso...

(Poema de N. Velho, Imagem In http://imageshack.us/ )

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