domingo, 22 de agosto de 2010

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Trago pedaços de ti colados ao meu corpo, e jorros do teu sangue ardente, a correr para dentro do meu como se entre nós dois houvesse um duto vivente. Trago a chama dos teus olhos a perseguir-me em todo o lugar, lá onde a luz ignora as palpebras fechadas, atravessando-as e obrigando-me a enxergar, lá onde não consigo calar, lá, onde a mentira não encontra lugar e a verdade se faz falar, lá onde confesso, falta-me tu, falta-me o ar, mata-me, mata-me, mata-me, esta inesgotável fome de amar-te, lá, onde em sonhos despertos, devoro-te com garras e dentes, apenas lá, onde nada consegue me amordaçar, nem a me vendar, apenas lá onde depois de me libertar,  cubro-me com os negros lençóis da cegueira permitida, e sinto-me contente...temporáriamente.

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