Por quantos anos mais dormiremos abraçados sem nunca ter estado, aconchegados em nossos braços, corpo e alma compassados, fúria suave, beijos longos e molhados, sede e sal do nosso mar? Por quantos anos mais seguiremos, a sombra dos nossos passos, em caminhos paralelos, a não cruzar em nenhum lugar, apenas e tão somente no ar? Por quanto anos mais haveremos de gritar, até que a rouquidão nos obrigue a calar, e faça do silencio a maneira de gritar? Por quantos anos mais seremos ecos um do outro, do amor-essência relicários, tão juntos e separados, no desejo e no medo, na vontade e no pavor de voar?
Não sei, Amor, mas pressinto que os anos serão tantos que nos será impossível contar...

Nenhum comentário:
Postar um comentário