terça-feira, 29 de novembro de 2011

Se do meu medo eu te falasse, entenderias, o tamanho do meu desejo

 e  dos meus sonhos, que  não o são, pois que já os vivo, de Ti e de Mim, a despeito.

E do tempo que não passou,  pois que guardei pra sempre,  o Nós aqui dentro do peito.

Agora,  que já sabes do meu amor - nunca desfeito - deixa-me então, falar-te do meu medo.

Deste medo que é tão imenso como meu desejo.  Imenso, imenso, imenso... 

Medo de um amor que nasceu inesperado, que cresceu encarcerado, denso, terno, eletrificado, pelo cosmos energizado. Quando liberto temo explosão. 

Sentimento  tão perfeito, tão inteiro, sem nenhuma exclusão. O que farei quando tornar-me parte do Universo? Como de novo juntar, os milhões de estrelas em que irei me tornar?

Medo e desejo, tatuados, abraçados, colados, como te vejo, como me vês, como nos vemos, inteiros, quando nos olhamos no espelho. 


Desfaleço,  só de pensar no teu cheiro, no teu beijo, eu pra ti, um rio inteiro, tu pra mim, o talo ereto do poejo, no teu e no meu desespero, eu e tu, impossível discernir, se principio, meio ou fim. 

Tu em mim, hirto, róseo, tremulo a explodir, inteiro. Em eu ti, escancarada, rasgada, farta, inundada, tremula a implodir,  inteira. Nós dois, de nós mesmos, finalmente cheios, transbordados, inicio, fim e meio.

Suor esperma saliva, língua almas corpos mãos - ternura represada, tesão, corpos dançando ritmos perfeitos,  sussurros gemidos em entremeios, além da imaginação.

Receios  e anseios, cegos de nascença, a luz, depois de séculos de escuridão. 

Tenho medo, mas tanto medo, que me ceguei para o amanha, meu sonho interrompe logo após a vertigem do encontro,  do encontro a ser mais, infintamente mais muito-mais-do-que-perfeito...

O que queria de ti ouvir? Que também sentes o mesmo...o mesmo amor, o mesmo medo
Mente pra ti mesmo, que cego estás para o amanha,  afastando receios, libertando o desejo...

P.S . Eu te amo e te quero,  a despeito do meu medo.


Um comentário:

VA7372 disse...

Procura uma noite frágil,
para sentir-se madura
apoia os seus pés
sobre as minhas costas,
procura madrugadas completas,
que as suas mãos façam estremecer
a minha pele,
procura uns olhos,
onde depositar todo o amor
que me tem,
procura os meus olhos,
sabe que aí está o seu afecto.

Procura um abraço,
enredada no meu silêncio,
procura o que o tempo
lhe nega e rouba,
as suas próprias lágrimas
se procuram e se encontram
escorregando pela sua pele,
precisa de chorar.

Agarra-se à sua almofada,
fecha os olhos,
e encontra-me procurando-a,
procura uma noite de calidez e magia,
para acariciar-me os cabelos grisalhos
de tantas luas iluminadas,
enquanto eu a procuro,
desesperadamente,
a ela.

Tenho dissecado a sua fisionomia
enquanto ela tem encontrado a porta
da minha filosofia,
sempre tenho preferido o seu amor,
que a nenhum outro,
e por fim ela sabe,
que a minha escrita não rima,
mas o meu amor e a sua orla rimam-se.

Em suas mãos deixei o epitáfio
do meu corpo,
para quando precise.

Beijos
J.