sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O fracasso da palavra

Amanheci com uma esta imensa vontade de um abraço.  Não  um abraço qualquer,  um abraço apenas de braços,  mas um abraço que vai alem de qualquer descrição.  Um abraço em todas as dimensões do espaço, abraço que envolve pernas, coxas, bocas,  sexos,  mãos, saliva, línguas, respiração - os cinco sentidos em  acordo recíproco.   Corpos em total união. 
Todas as palavras, figuras imaginarias, metáforas,  que me vieram a cabeça não foram nem de longe  fiéis a vontade que sentia. Sem sucesso em descrevê-lo  conformei-me  no relato do fracasso.  Mas senti-o durante todo o dia,  passando todo o tempo com  apenas metade de mim.   No entanto,  no meu rosto nenhum sinal de que não estava aqui,  da imensa lacuna que sentia.
 Penso agora,  que nem mesmo mil palavras (mesmo se eu as tivesse), substituiria um pedacinho de pele,  um olhar, um sorriso, um toque de mãos. Quanto ao abraço,  nem mesmo  um milhão de palavras.  Por este motivo acho que devo parar aqui.
Reflito agora, pouco antes de ir dormir (dormir?) que,   aqui em frente a imensidão deste mar, com a liberdade de ir e vir,  me sinto numa prisão. E, no entanto,  só o que eu hoje precisava, era apenas deste abraço,  para voar para  um estado de graça, de plena libertação.
Só de pensar neste abraço tremo...e penso, qual seria o limite para esta doce loucura. Certamente que o tempo e o espaço não são e nunca o foram...assim como nem mesmo, nunca foi, a ausência...
E tremo a pensar no que está por vir...


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