Talvez, o
nosso mundo se convexe
na matriz
positiva doutra esfera.
Talvez, no
interspaço que medeia
se permutem
secretas migrações.
Talvez, a
cotovia quando sobe,
outros
ninhos procure, ou outro sol.
Talvez, a
cerva branca do meu sonho
do côncavo
rebanho se perdesse.
Talvez, do
eco dum distante canto
nascesse a
poesia que fazemos.
Talvez, só
amor seja o que temos,
talvez a
nossa coroa, o nosso manto.
(José Saramago, Science Fiction I, Os Poemas Possíveis)

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