sexta-feira, 14 de novembro de 2008

So respiro quando canto-te!


Que faço com este meu canto,
Que se recusa a calar,
Se não sei se é compreendido,
Ou se o queres escutar?
Como domar este meu canto,
Desobediente, às vezes irreverente,
Para que, sem ferir ou te invadir,
Mostre a intensidade do meu sentir?
Como dizer-te neste meu canto,
Que tremo só de pensar,
Trava-me a garganta, acelera-se o peito,
Amolece-se o corpo, muros são desfeitos?
Como controlar este meu canto,
Apaixonado, desesperançado,
Por contradições marcado,
Mas que amor está sempre a cantar?
Como dizer-te neste meu canto,
Que de temor também é feito,
Teme ver-te, ouvir-te, amar-te,
E que o teu querer não mereço,
E que ao ver-te silencia,
De tanta emoção no peito,
E que o controle por fora,
Esconde um incêndio por dentro,
Que sinto em ti mais que carne,
Vejo alma e coração,
Macho, pai, filho,
Criança, velho, e irmão,
Paixão, mistério, loucura,
Cegueira e visão,
Vejo - te Homem, vejo –te Redenção.
E que tremo, tremo sim,
Tremo apenas ao ler-te
Se um dia pudesse amar-te
Acho que morreria no êxtase.
Ah, meu amor!
Que teu canto eu sempre ouça,
Pois não vivo sem tua música.
E que a mim permitas amar-te,
Mesmo que só através do meu canto,
Pois amor, eu só respiro
Só respiro, quando canto-te !




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