segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ilha


Como naufrago na tempestade
A procura de um porto seguro
Como força só o meu desejo
E a luz do teu farol no escuro.

Faço-me de sereia encantada
De perolas e algas me enfeito
Armo-me de sonhos e meu canto
E ponho-me a nadar no teu rumo.

Por milênios mergulhada.
Num mar bravio de palavras
Em vagas divago sem rumo
Sinto-me às vezes sem prumo.

Às vezes quase morro afogada
Mas forte no desejo me seguro
Único apoio entre as vagas.
Minha razão de existir, meu muro.

E nesta ilha atracada
Não vejo luz no horizonte
O farol em algum lado, decerto
Mas tão longe, não alcanço

A luz que pensava que via
E em sonhos pensava que era tua
Era uma miragem na água
O manto brilhante da lua.

Em volta de mim só água
Água que deságua no nada
Como meu desejo que não acaba
Atemporal, infinita seara.

Do tempo resiste a passagem
Imutável, ontem, hoje e amanha,
Uma ilha no meio do nada
Sonhando em ser continente
No acordar de cada manhã...

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