sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Primeiro Post

Study of Undressing by Edoardo Pasero
Study of Undressing

“São nove da manha, sexta feira, março de 2008. No meio de uma previsível vida, aviso de mensagem, vejo remetente, imediata e involuntariamente coxas abrem, lábios umedecem. Com o coração pulsando na vagina, abro, olho – “QUERO MAIS” - penso, respondo previsivelmente – noite vejo com calma. Contraditoriamente meus dedos no teclado já abriram o site de novo, olho embriagada.Levanto, fecho a porta do escritório a chave e desligo a luz... Faz de conta que não estou...Só 10 minutos. Olho mais, continuo a ler franticamente... 14 postagens...Não sei quanto tempo se passa... Vou e volto páginas, abro imagens em tela cheia, de pronto, no corpo as palavras e imagens tomam corpo... Não consigo parar. Eu sabia... Tinha algo de demoníaco ou de divino não sei, afinal, qual e a diferença, demônio, anjo, inferno, céu, pecado, loucura, crime e castigo, morte e vida vou parar...Penso, olho, estremeço, arrepio. Na cabeça, (in) decências tomam posse na forma de idéias e imagens soltas, - roçar, boca, língua, branco, enrijece, incha, umedece, pelos, ossos, mãos, peito, coxas, nuca, cabelos, lambe, morde, mela, suga, chupa, bate, arranha, fende, funde, fenda, sexo, esfrega, mete, tira e bota, vai e volta, come, puxa cabelos, bate, dói, gosto, gosto, chupa , lambe, esfrega, respira, cheiro de boca, cheiro de sexo, bicho, fosso, lento, rápido, baba, sexo na cara, vira de cabeça pra baixo, engole, encaixa, faminto, sedento, coito, trepa, alucina, visceral, gozar, demônio, anjo, quero, quero,vida, morte, leite meu, leite seu, ávido, impávido, insano, festa, ato, tato, quarto, canto, mata, escuras, brasas, ardor, mundo, quente, úmido, molhado, duro, teso, grande, enorme, vermelho, brilhante, palpitante, veias, sangue, agonia, agonia, agonia, agonia , agonia.....Vou morrer, não quero morrer, quero gozar, isso parece distanasia, vou parar!

Preciso falar, sem poder, escrevo - que chato! Não sei escrever bonito! Vai assim mesmo!Por debaixo da mesa, mãos levantam saia e deslizam pra dentro da calcinha.No monitor em tela cheia um homem sentado na praia... Quando me pego lambendo o monitor sei que não vai dar para parar...E naquele momento a imagem de um simples beijo na boca me faria gozar...Penso, gozo... E choro... Ai... Que merda, merda, merda, porque tem de ser assim, essa agonia sem fim...Abro a porta, vou voltar a trabalhar... Vejo que não dá, estar a começar tudo outra vez, não da mais pra ficar. Que se foda o trabalho, vou me embora... não tenho escolha.Com a cara esfogueada invento uma desculpa e vazo, pego a estrada , vou procurar uma poesia pra mandar...Procuro e procuro e nada, não acho nada, todas as palavras achadas parecem pouco isso significa que terei que inventar, merda! Porque não nasci com talento pra escrever, não quero copiar de ninguém! – mas, nada que vejo parece suficiente, as palavras certas ainda não foram inventadas...Que importa, vou escrever com as erradas mesmo!Domingo - abro o site, apago o antigo post e escrevo estas bobagens, olho a porta do guarda roupa...Vejo tua foto que montei como num puzzle! Um dia ainda te como meu amor... E começa toda a agonia de novo...Assino: sinta-se livre para apagar...Só queria comunicar...”

Um ano depois... Ela ainda sente o mesmo...


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