Olho para uma imagem. Da tênue luz de um abajur um tímido feixe de luz se esgueira e suavemente ilumina um quarto. Nele, fracos contornos delineiam-se em meio a tons róseos e cinzentos. Sombras e luzes se misturam fazendo nascer o perfil de um homem. Um homem belo. Sensual. Intenso. Complexo. Um homem com sede.
Agora observo os detalhes. Vejo sombras. Sombras... Que nada são senão ausência ou variação na intensidade da luz. Mas, com que beleza estes dois (aparentes) opostos se combina num suave e continuo fluxo de energia pura em eterna vibração! Que incrível capacidade de produzir em mim tantos e tão variados sentimentos através da visão de uma simples imagem – sede, calma, languidez e intensa sensualidade.
Chamam-me a atenção em particular os longos cílios. São deles que me vêem a idéia de languidez. Uma intensa e sensual languidez. Dela, também não sei por que, sinto que o dono destes cílios movimenta-se devagar, muito devagar (como os príncipes devem andar, imagino)... Estes cílios também me dizem que sua voz mais que para o grito, foi feita para o sussurro. Sussurros mais convincentes que qualquer grito.
O jogo de luz e sombras no queixo forma uma superfície levemente rugosa. Uma barba que se anuncia. Sua proeminência faz me sentir a forca e a determinação do dono. E fome. E audácia.
Meus olhos agora se sentem atraídos por outras partes da imagem. Noto outros pelos do corpo (e logo em seguida, pela ausência deles). Acima do lábio, sobrancelhas, no queixo e em dos dedos da mão que seguram um copo. Nos dedos parecem quase transparentes. Novamente a luz pregando-nos uma peça. Sinto desejo. Pelos masculinos lembram-me sexo. Visceral. Animal. Sempre me excitam.
Do resto do corpo, vejo apenas um pequeno pedaço da junção entre um ombro e braço. A pele lisa parece-me extremamente macia. Sinto uma vontade imensa de tocá-la. Imagino um abraço. Sinto seu cheiro e temperatura. Arrepio-me. Contraio-me. Umedeço-me. Tenho vontade de acariciá-lo com a língua. Languida e faminta sinto-me agora. Todo meu corpo deseja-o. E o que começou como um simples exercício de observação e reflexão transforma-se em uma imensa mistura de sentires e quereres. Um desejo insidioso permeia-me.
Recomponho-me. Penso. Volto ao pensamento original. O que faz esta face existir – as sombras ou a luz? O fato em si ou apenas a sua percepção? A luz e o fato, alguns diriam. Mas, isso quer dizer que antes de acender-se o abajur a face não existia? Só porque não vemos algo isso significa que lá não esteja, que não exista? Então, porque sinto?
E os contornos, serão eles um fato, que limitam a face e a não-face, o dentro e o fora, o tudo ou o nada, o ser ou não-ser? Visto ao microscópio veremos que não existe um limite claro entre a face e a não-face, senão um suave e continuo de energia pura em eterna troca e vibração.
Penso então que tudo que existe é relativo. Que as sombras não são mais que a ausência de luz e vice-versa. Que a dicotomia preto ou o branco é um mito existe apenas um infindável espectro de cinzas de todos os matizes e intensidades. Que o tudo é tão parte do nada quanto do tudo. O ser ou a percepção do ser. Sendo assim, explica o fato de como me sinto em relação a ele. E que
Eu, tanto quanto tudo mais de que sou feita, sou também a ausência dele. Definitivamente. Ele é parte de mim.
Agora observo os detalhes. Vejo sombras. Sombras... Que nada são senão ausência ou variação na intensidade da luz. Mas, com que beleza estes dois (aparentes) opostos se combina num suave e continuo fluxo de energia pura em eterna vibração! Que incrível capacidade de produzir em mim tantos e tão variados sentimentos através da visão de uma simples imagem – sede, calma, languidez e intensa sensualidade.
Chamam-me a atenção em particular os longos cílios. São deles que me vêem a idéia de languidez. Uma intensa e sensual languidez. Dela, também não sei por que, sinto que o dono destes cílios movimenta-se devagar, muito devagar (como os príncipes devem andar, imagino)... Estes cílios também me dizem que sua voz mais que para o grito, foi feita para o sussurro. Sussurros mais convincentes que qualquer grito.
O jogo de luz e sombras no queixo forma uma superfície levemente rugosa. Uma barba que se anuncia. Sua proeminência faz me sentir a forca e a determinação do dono. E fome. E audácia.
Meus olhos agora se sentem atraídos por outras partes da imagem. Noto outros pelos do corpo (e logo em seguida, pela ausência deles). Acima do lábio, sobrancelhas, no queixo e em dos dedos da mão que seguram um copo. Nos dedos parecem quase transparentes. Novamente a luz pregando-nos uma peça. Sinto desejo. Pelos masculinos lembram-me sexo. Visceral. Animal. Sempre me excitam.
Do resto do corpo, vejo apenas um pequeno pedaço da junção entre um ombro e braço. A pele lisa parece-me extremamente macia. Sinto uma vontade imensa de tocá-la. Imagino um abraço. Sinto seu cheiro e temperatura. Arrepio-me. Contraio-me. Umedeço-me. Tenho vontade de acariciá-lo com a língua. Languida e faminta sinto-me agora. Todo meu corpo deseja-o. E o que começou como um simples exercício de observação e reflexão transforma-se em uma imensa mistura de sentires e quereres. Um desejo insidioso permeia-me.
Recomponho-me. Penso. Volto ao pensamento original. O que faz esta face existir – as sombras ou a luz? O fato em si ou apenas a sua percepção? A luz e o fato, alguns diriam. Mas, isso quer dizer que antes de acender-se o abajur a face não existia? Só porque não vemos algo isso significa que lá não esteja, que não exista? Então, porque sinto?
E os contornos, serão eles um fato, que limitam a face e a não-face, o dentro e o fora, o tudo ou o nada, o ser ou não-ser? Visto ao microscópio veremos que não existe um limite claro entre a face e a não-face, senão um suave e continuo de energia pura em eterna troca e vibração.
Penso então que tudo que existe é relativo. Que as sombras não são mais que a ausência de luz e vice-versa. Que a dicotomia preto ou o branco é um mito existe apenas um infindável espectro de cinzas de todos os matizes e intensidades. Que o tudo é tão parte do nada quanto do tudo. O ser ou a percepção do ser. Sendo assim, explica o fato de como me sinto em relação a ele. E que
Eu, tanto quanto tudo mais de que sou feita, sou também a ausência dele. Definitivamente. Ele é parte de mim.
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