domingo, 15 de março de 2009

Certos dias...


Os dias parecem sempre tão iguais,
Lá fora
Nascem e morrem na mesma hora,
No amanhecer,
E no entardecer,
Duram sempre o mesmo tempo,
Vinte e quatro horas.
Vestem-se sempre do mesmo intento,
Sobreviver,
Navegar e nunca chegar,
Sempre a nadar,
No mesmo lugar de sempre.

Mas há aqueles dias...
Em que o sol nasce, mas não ilumina,
Só sombras.
A lua aparece, mas não encanta,
É triste.
A nota é tocada, mas não o canto,
Silencio.
O copo pelo meio parece vazio,
Desencanto.
A água é morna e barrenta,
Não sacia.
O sorriso é amarelo, sem graça,
Só disfarça.

Nestes dias,
Os dedos da gente paralisam,
Se calam,
Não transmitem.
E a alma da gente sente e ressente
E tambem se cala,
E ressente tanto,
Que se faz ausente.


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