domingo, 5 de abril de 2009

Anjo


E como um anjo da noite chega-te devagar tornando os silêncios da minha escuridão na minha luz e canção, e nas sombras e sussurros que te trazem a mim, te anunciam e denunciam, me aliciam, me viciam, me despem e acariciam, me possuem e desalinham, tu, meu anjo, que acendes meus desejos adormecidos, (des) aquieta meus sentidos, quando teu desejo com os meus se alinha, e no respirar estremecido no rosto afogueado, as mãos que vagueiam sem querer inevitavelmente mas querente, a acalmar os desejos molhados, afogados, que se sentem com os dedos, os teus, os meus, os nossos, nos desejos que se fazem sem medos, e defloram a noite em gemidos que ressoam, e atordoam, em meio ao calor dos corpos, transmutados nos espaços, desfazendo-se em suores, os teus nos meus dedos, faz-te presente, faça-me tua, agora nua como a lua, em noite sem nuvens, de anjo fazes-te homem, meu, noite adentro, fim do tormento, sem ontem nem amanha, no infinito das nossas mãos que tomam e que se dão, doando aos corpos a unção, balsamo, veneno, absinto, em meio a seus tremores, cheiros, sabores e suores da paixão, corpos e almas em convulsão, corpos que se saciam, não há limites não, eu tu, nós, não há mais eles, só paixão, escravidão, libertação, eu e tu, da morte em vida, a redenção, trazendo aos nossos sonhos a realização, mesmo se com apenas com as mãos, não nos deixe nelas morrer, vivamos juntos esta paixão, além das nossas mãos.

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