sábado, 11 de abril de 2009

Sobre chocolate, bacalhau, e coelhinhos...


A julgar pelos templates dos blogs ou equivalentes no mundo virtual, é de se pensar todo o universo tomou um banho de tintas de cores pastel. Em meio a esta pálida paleta de azuis, rosas e amarelos clarinhos, abundam imagens de coelhinhos, lindos bebes de bochechas rosadas, chocolates e amêndoas, acompanhado de mensagens onde as palavras, renascimento, esperança, amor, família, solidariedade e perdão assim como tantos outros termos tão solenes quanto vazios (pela falta de ação) abundam!
No mundo real, as lojas, banhadas pela mesma paleta de cores desmaiadas, presenciam uma verdadeira guerra dos "quaremistas" retardatários (sim, acabei de inventar a palavra "quaremista"! se dias “santos” são inventados, por que não posso inventar uma simples palavrinha?) a acotovelarem-se em filas na disputa de bacalhaus e chocolates. As estradas e aeroportos congestionam-se com o afluxo de pessoas a fugir da cidade em direção as suas casas de campo ou a visitar os parentes mais próximos (só os mais próximos e mais afluentes, claro!). Os mais beatos penitenciam-se e põem-se a orar por três dias, evitam cometer os “pecados da carne” e até a neles pensar, embora na segunda, sejam retomados do mesmo lugar (desculpem a rima, eu não tinha a menor intenção...).
Pequenas fortunas são gastas em compras de ovos da páscoa (1 kg de ovo de chocolate e 1 kg de bacalhau custam cerca de US$40 e US$ 30 respectivamente). Sendo no Brasil o salário mínimo em torno de US$ 150 por mês, não é preciso ser um PhD para perceber que a grande maioria dos brasileiros terá que escolher se tem um ovo de chocolate e comem bacalhau no domingo da páscoa, ou se comem o resto do mês... Fácil adivinhar a resposta!
Dentre a grande massa que celebra a Páscoa, apenas uma minoria entende de fato o que estão a celebrar. Já a maioria apenas acha que entende a razão e os "porques "de cada ritual e há os que de fato não entendem e nem estao preocupados com isso. Independente de saberem ou não, poucos o questionam. Simplesmente fazem o que acham que devem fazer – enviar mensagens com as palavras chaves mencionadas anteriormente, presentear com ovos de páscoa, comer peixe e orar (esta ultima atividade não é muito popular, mas, ok, vou deixar, faz de conta que sim!. Supostamente estão a cumprir seus deveres cristãos e sentem-se profundamente iluminados com o fato. Não importa se na segunda feira após a Páscoa voltem a fazer e ser exatamente o que eram ou faziam antes. Desafio esta maioria a indicar um ato realmente solidário neste período. Meu reino por uma ação consistente com seus discursos.
Enquanto o mundo da Alice no Pais das Maravilhas cobre-se de cores suaves e coelhinhos a medida que farta-se de bacalhau e chocolates, lá fora, no mundo real, a cor predominante continua a ser vermelha de sangue e negra de obscuridade. A comida continua a ser não o bacalhau (delicioso, é verdade, mas caríssimo e em perigo de extinção desde o ano de 2002, pra quem não o sabe), mas sim, “o pão que o diabo amassou” todos os dias, sejam os “santos” e os “não-santos” independente de terem cometido o “pecado da carne”!
Eu, a observar todo este nonsense surrealista e absurdo (e já estamos no 3º milênio!), como sempre limito-me a achar tudo muito pobre (no sentido figurativo da palavra). Pobre de sentido, pobre de sentimento, pobre de ação, pobre de consistência, pobre de resultados! Aposto que Jesus Cristo, aquele cara fantástico para quem todo este estardalhaço sem sentido é dedicado, pensaria igual, quando visse o que se transformou o “aniversário” da sua morte e suposta resureição!
Devo dizer que este meu sentimento não é exclusivo da tal da Semana Santa ou Natal, mas sim de qualquer outro dia em que se comemora um evento religioso ou não em que a tonica seja o discurso vazio e não a ação. Nada a estranhar, afinal sou mesmo a Estranha. Se já desejei algum dia “feliz páscoa” a alguém? Não, nunca o fiz, mesmo quando ainda muito jovem, quando o desencanto ainda não me tinha contaminado totalmente... Sempre fui do tipo que mesmo sem entender os “porquês” já sentia de longe o “cheiro” de algo errado...
Por mais que eu viva acho que nunca vou me acostumar aos nanismos (de todos os tipos, sejam espirituais, intelectuais, existenciais ou o que o valha!) da maior parte dos individuos desta nossa espécie que tão arrogantemente se denominou Homo Sapiens - que de sapiens tem muito pouco– apenas a arrogância de achar que é! Não é a toa que escolhi não ter filhos. Mais gente neste planeta com os meus genes e seria a extinção da espécie como a conhecemos! Pelo menos é o que advoga teoria da “evolução”. Se evolução, involução ou revolução – o que afinal esta espécie precisa pra se tornar mais digna de merecer o status de “superior” eu ainda não sei... Quem o souber, que me diga...
Provavelmente, por toda a eternidade, queimarei no inferno por este post. Mas, como diz o ditado “mais vale ser-se odiado por aquilo que se é na verdade, do que ser amado por aquilo que não o é...” e assim sou eu ... tenho o péssimo hábito de falar o que penso , e nem acreditar em tudo o que vejo, e como todos sabemos, a verdade é para poucos ... Não cultuo e não celebro estas "datas" simplesmente porque não acredito na maioria destes "rituais" repetidos á exaustão! Se é pecado, não sei, mas, pelo sim pelo não, ja vou começar a "rezar" pela misericordia divina, pois o inferno deve ser quente pra caramba, e não quero arriscar!