
Não consigo trabalhar e sendo assim resolvi deixar-me levar, devagar e divagar, até onde, a imaginação me deixar. Que importa se o que escrevo não vai fazer nenhum sentido, se o que desejo hoje, amanha já vou negar, aqui ou acolá, em nenhum ou qualquer outro lugar, sempre me encontro, em ti a pensar. Se hoje amo, amanha odeio, no outro dia, já sem pejo já não mais sei o que anseio, e assim vou como uma folha ao vento, a mercê aonde me leva meus pensamentos, sempre a ti, como um barco abandonado a deriva do sentir. Assim vou - te seguindo, te querendo, te repelindo, me negando, me batendo, mas sempre, sempre te seguindo, me engulindo, te engulindo, em silencio, aonde sei aonde passa os teus caminhos, onde semeias as tuas rosas, aqui e ali, quem as pega não sabe o destino, esquecem que as rosas sempre tem espinhos, mas o que falo? não me importaria de neles me sangrar, se soubesse que algum dia, nossas peles pudessem se tocar... Às vezes penso porque das coisas serem assim, porque não aceito menos do que almejo ou que penso que mereço, ou me recuse a rasgar os meus joelhos, talvez seja porque muito falte em mim, a começar pelas rosas vermelhas, a combinar com os lábios carmim, corpo envolto no lençol de cetim, mas digo não, não pode ser, por tão pouco não, quem sabe talvez porque a minha lua não é tão prateada , nem meus olhos sejam de fada encantada, ou porque não, talvez, tudo em fato falta em mim, talvez se ainda eu fosse a Angelina Jolie, mas sei que não, é que tudo é errado em mim, nunca gostei de Polyanna, Paulo Coelho ou Saint-Exupéry, lua e estrelas para mim não faz mais sentido, servem apenas pra rimar, assim como amar com mar, mas sei que sabes bem do que eu falo, rima fácil, só pra quem não sabe o que é pensar, pois Amor, amado, rima mesmo é com Suor, esqueça a lua morrendo à mingua , quero mesmo é tua língua na minha língua, e tudo mais esquecer, e enlouquecer, juntinho contigo, num infinito prazer...
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