quarta-feira, 8 de julho de 2009

Fuga de mim



Mudo tudo que me cerca por fora
Cerco tudo que há dentro de mim
Enterro tudo que em mim sobressalta
Até não mais poder de mim ressurgir.

Mato as flores, enveneno as raízes,
Calo fundo em mim o sentir
Em todas as sensações coloco trancas
Engulo em seco, a vontade de fugir.

Mas é à noite, quando o desejo se esgueira
Pois nas brumas a vigilância dormita
Alma em fúria, se liberta e clama
“Mudas tudo, mas não mudo de ti !”.

E então que me abandono ao delírio,
Alma e corpo novamente em uníssono
Sonho num sonho que Ele me ama
E não mais fujo de mim.

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