quinta-feira, 9 de julho de 2009

Resiliência


Foram tantos os dias desde aquele janeiro
A obcecadamente querer senti-lo por inteiro
A tremer, palpitar, umedecer, extasiar
Mesmo quando meus olhos
Nunca nele podiam pousar

Foram tantas as noites desde aquela primeira
A ansiar um sussurrar, respirar o mesmo ar
Sentir o calor, e dos lábios um gemido
Mesmo quando meus olhos
Tinham sempre só o vazio a mirar.

Foram tantas as madrugadas de espera
Que meus braços cansados se esfriaram no ar
E de tanto esperar perdi-me na lua
Porque nunca, nunca nada, eu via na rua
Só a sua voz entre outras estranhas, a suspirar.

Sim, foram tantas noites, madrugadas, dias
A procurar, a esperar sózinha pelas ruas
Que para proteger-me pus-me a hibernar
Mas continuo, morno corpo e alma em sede
Sob os lençóis de gelo, quente e viva por ele.


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