terça-feira, 18 de agosto de 2009

Uma mão, um Norte...


Sinto-me tão impotente. É tanto sentimento circulando nas minhas veias, impregnado nos meus poros, que chegam a paralisar as minhas mãos impedindo-me até de escrever. Sentimentos com tal intensidade que de uma certa forma me intoxicam, me paralisam. Lá fora, ninguém percebe. Confesso que me sinto completamente perdida sem saber o que fazer, que rumo tomar. Como gostaria de acreditar em anjos ou deuses neste momento... E se acreditasse neles pediria que me tomassem pela mão e me guiassem no caminho certo. Mas, anjos e deuses não existem! Só existe eu, eu e eu mesma, nas minhas noites de insônias, que divido com meus loucos sonhos no leito. Mas talvez, o que preciso não são divindades, apenas uma mão humana, simplesmente humana e cheia de defeitos, assim como a minha, uma mão que me indique o Norte a seguir. Freqüentemente pergunto a mim mesma do que vale tantos anos de estudo, tantos livros lidos, tantas teses defendidas, tantos mares navegados, tantos portos explorados. Nada disso me ensina a viver. Nada disso ajuda-me a escolher o caminho a seguir. Na nossa busca pelo “saber” especializamo-nos tanto que chegamos ao cúmulo de saber o “quase tudo” sobre o “quase nada”. Um tudo que não nos serve de nada. Inevitável sentir-me ludibriada. De que nos serve a “física quântica”, se não sabemos o básico, o essencial, que é saber como caminhar, como atravessar este mar chamado vida. Somos os doutores do nada e analfabetos da vida. É preciso que vivamos quase uma vida inteira para perceber que na verdade, precisamos de muito pouco para sentirmo-nos felizes. Neste momento, sinto que preciso apenas de um Norte. O resto, é só caminhar, mesmo que não haja caminho, mesmo que não haja pontes. Sabendo o Norte, e com ajuda daquela mão, cedo ou tarde, tropeçando, caindo, levantando, um dia talvez eu chegasse lá.

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