domingo, 29 de novembro de 2009

Gosto...


Tenho poucas coisas. E a cada dia que passo, procuro adquirir menos ainda. Dentre estas coisas, procuro manter as poucas que gosto de verdade, pois quando gosto, gosto para sempre. Sou fiel a emoção que elas me provocam. Ao estado de bliss que me transportam ao senti-las.

Este pôster é uma destas coisas. Tenho-o comigo há mais de 10 anos. Foi amor a primeira vista. Muitos milhares de quilômetros já andei, para muitos endereços já mudei, por muitas transformações já passei. No entanto, aonde vou levo-o sempre. Mudo de quarto, mudo de casa, mas do que gosto, sempre trago comigo.

Aqui falo de matéria, mas poderia estar falando de almas. A respeito destas , também são poucas as que guardarei para sempre. Apenas aquelas que me fizeram descobrir a minha. Que me fizeram perguntar se é fato que a possuímos, e se de fato, existe tal coisa chamada destino, coisas assim, sem importância, a não ser para mim.

Reconheço, sou de poucos amigos. Sou de um único amor. Sou amante a moda antiga. Não me atrai a casa cheia, o burburinho nas salas de visitas. A noite, gosto da minha cama dentro do meu quarto. Portas fechadas. Cortinas cerradas. Deixo apenas uma fresta para admirar a lua. Durmo toda nua. Aprecio os poucos que se aventuram comigo, no quarto dos fundos, no sótão, a desvendar os mistérios escondidos no porão .

Gosto de penumbras, de silêncios cheios de significado. Gosto de lareiras, vinho tinto e beijos lentos e molhados. Gosto dos vermelhos mas também de escuros azuis. E se de fantasias meu quarto esta cheio, meu coração, este trago sempre nu. Gosto de sussurrar tão baixinho que só você o pressente. Gosto de te dizer que (ainda que não seja a língua, nem minha nem tua), gosto de te dizer que, mais que qualquer céu azul, e ainda que me faças viver num eterno blues, gosto de te dizer que...

I love you.


(Fotografia de Rudolf Koppitz)


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