segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Poemas...


"Os poemas podem ser desolados como uma carta devolvida, por abrir. E podem ser o contrário disso. A sua verdadeira conseqüência raramente nos é revelada. Quando, a meio de uma tarde indistinta, ou então à noite, depois dos trabalhos do dia,a poesia acomete o pensamento, nós ficamos de repente mais separados das coisas, mais sozinhos com as nossas obsessões. E não sabemos quem poderá acolher-nos nessa estranha, intranqüila condição. Haverá quem nos diga, no fim de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta? Não sabemos. Mas escrevemos, ainda assim. Regressamos a essa solidão com que esperamos merecer, imagine-se, a companhia de outra solidão. Escrevemos, regressamos. Não há outro caminho."


(Texto de Rui Pires Cabral, Fotografia de Blake Fitch)


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