
Porque,
sei mais do que devia saber
percebo mais do que devia perceber
sinto mais que devia sentir
ouço mais do que devia escutar
e sempre sei pra quem estás a falar
e a quem estás a esperar.
Sei também,
quando mentes ou quando omites
se falso ou verdadeiro teu grito
tuas manhas e das tuas artimanhas
das tuas razões e tuas fraquezas
do teu poder e das tuas espertezas
de quando perdes ou ganhas
e dos beijos que espalhas mesmo se não amas.
E é porisso,
que meu canto não é bonito
que não finjo que é o céu este inferno
e toda manhã em frangalhos desperto
e nunca sei se engulo ou vomito
se me calo ou se grito
se bato em tua cara
ou se na minha face
com meu sangue te risco.
Só sei,
que morrerei sozinha
será este o meu castigo
e nem posso dizer que é porque não admito
mas simplesmente porque
dividir-te não consigo.
(Foto de Konrad Zagloba)
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