domingo, 22 de novembro de 2009

Trapos...





Não sei porque

me exponho assim,

assim...

sem veludos , sem cetins,

sem porque, sem pra que, sem pra quem

não sei porque

se não me vê ninguém...

Murmuro aqui

meus pequemos ais,

tão pequenos,

tal qual outros

outros tantos, tão iguais.



Ais de dor, de prazer

de querer, e de não ser

e tantos outros

são sempre os mesmos

embora outros

estes meus pequenos ais

a tantos outros

tão iguais.



Talvez porque

(apenas talvez...)

ache apenas que no amor

tanto quanto fantasia

é preciso lucidez

e mesmo que doa

ver tudo

o que há de ver...



Porque cobrir-me de cetins

se o que dentro trago

é um monte de trapos?



(Fotografia de Tziano Magni)

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