
Talvez porque,
Neste rosto que não vejo,
Pressinto muito mais,
Que um poço de desejos,
Mas um homem só humano,
Que sabe que um dia vai morrer,
E sobre isso,
Não há nada a fazer...
Talvez porque,
Neste rosto que não vejo,
Vejo que há muitos segredos,
Puzzle de um homem inteiro,
Que a ninguem deixa entender,
O todo que pode ser,
Além de um prazeroso brinquedo,
Das tantas quem o possam querer,
(Tantas que não se contam nos dedos...)
Talvez porque,
Atrás do rosto que não vejo,
Vejo um homem, que sofre, que chora,
(E porque não? muito mesmo, também goza),
Mas que às vezes não sabendo o que fazer,
Abraça-se em tantos braços mundo afora,
Mas no fundo, a uma só, gostava de pertencer,
(Mesmo que esta,
Ainda esteja por nascer).
Talvez porque,
Neste rosto que não vejo,
Vejo uma tamanha agonia,
Que volta com as manhãs vazias,
No final das noites sem fim,
(De um jeito ou de outro, sempre acabam com o dia)
Em tantas estranhas camas,
Embora dê-lhe algum alento a poesia...
Talvez porque,
Por este rosto que não vejo,
Eu sinta tanto, e por sentir tanto
Tenho medo da fome que vejo,
De um tamanho que não tem fim,
E eu, por ser tão pequena,
E embora queira-lhe tanto
Não sei se o saciaria...
(Nenhuma o conseguiu, porque eu o conseguiria?)
Talvez porque,
Neste rosto que não vejo,
Vejo um paraíso pelo qual,
Sem olhar pra trás,
Jogaria-me no abismo,
Dias e noites sem fim,
Mas que é certo, mesmo assim,
Nunca o teria para mim...
Talvez seja porisso,
Que este rosto que não vejo,
De rever dá tanto medo,
Que me enterro no degredo,
Com o terror,
De recusar-me um sim,
(Já tantas vezes foi assim...)
E ainda assim eu penso,
Meus Deus!
Sem este rosto que não vejo,
O que seria de mim?
Será que se dá conta,
Do tudo que é para mim?
Pois neste rosto que não vejo,
Veja mais que um homem,
Veja a metade da alma
A metade que falta em mim...
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