Alma grávida de sentimentos, corpo que suplica, tambores a arrebentar o peito - faltam-me forcas nas mãos para escrever. Vencida, consumo-me no profundo dos mil beijos prometidos, e dou voz ao que até hoje, nunca tinha aprendido...
Há amores que se desgastam Com a ausência, Que assobiam para o ar o nome Da pessoa que se ama, Assomem lembranças Em a cada janela, Entrando em cada porta, Há amores que se escrevem Com letras de fios de prata, Só se apaziguam os temores Na distância, Nem se quebram inquietudes Pela subtileza, Não são as mensagens, Nem os telefonemas, Nem um eleger de palavras Para a tua alma.
Há amores que se desgastam Desgranando dias, Longas esperas, Não foi o teu caso, Foram os meus olhos De tanto chorar, Foram-se apagando Os momentos amargos.
Escrevo palavras, Que nascem da minha boca, Deixou a minha alma de chamar-te, Desprezada ficaste na memória, De quem observou Os teus fatos, E floriu as palavras.
De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. (Vinicius de Moraes)
2 comentários:
Bela foto e uma canção cheia de sentidos..
Há amores que se desgastam
Com a ausência,
Que assobiam para o ar o nome
Da pessoa que se ama,
Assomem lembranças
Em a cada janela,
Entrando em cada porta,
Há amores que se escrevem
Com letras de fios de prata,
Só se apaziguam os temores
Na distância,
Nem se quebram inquietudes
Pela subtileza,
Não são as mensagens,
Nem os telefonemas,
Nem um eleger de palavras
Para a tua alma.
Há amores que se desgastam
Desgranando dias,
Longas esperas,
Não foi o teu caso,
Foram os meus olhos
De tanto chorar,
Foram-se apagando
Os momentos amargos.
Escrevo palavras,
Que nascem da minha boca,
Deixou a minha alma de chamar-te,
Desprezada ficaste na memória,
De quem observou
Os teus fatos,
E floriu as palavras.
Beijos
J.
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinicius de Moraes)
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