sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Intersecção

 Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.  
em Taital não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.
(Pablo Neruda, Soneto II)

Um dia depois, revisitando esta postagem...

A muito tempo que conheço este poema. De uma beleza inebriante e de uma verdade tão desejada, nunca pensei, nem em meus mais atrevidos sonhos, que um dia teria a chance de posta-lo...
Levei horas tentando decidir o titulo que daria a esta postagem. Nada que pensei pareceu-me adequado - . tampouco o que escolhi. Intersecçao, nem de longe, reflete seu significado...
)
 

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