domingo, 4 de dezembro de 2011

Antropofagia

Não sou eu, mas bem que podia ser...
Abandonada ao total abandono, e  o pensamento, preso em você.
Esta não sou eu, mas bem que podia ser...
E  este gato na janela,  pelo arrepiado, olhos molhados, corpo retesado, fome de carne no corpo, fome de sangue  nas veias,  fome de anima na alma, parece louco pra  me comer...  e as minhas pernas lentamente que se abrem para o receber...
Gato, quem de fato é voce? És quem eu penso? Bem que podia ser... Ou serás invenção minha? Bem que podia não ser...
Fazes-me tremer, dás-me  fome na anima, faz-me querer, faz-me temer. Dás-me fome, muita fome...
Privada de anima na alma, depravada de carne no corpo, sedenta de sangue nas veias. Privada, sedenta, depravada, tenho fome, de tudo que me faz cheia.  
Tenho a pele arrepiada, a carne depravada. 
Fome de carne no corpo, de sangue  nas veias, de anima na alma.
Preciso comer este gato e deixar  ele me comer.
Único jeito de acabar com esta agonia
Perder-nos de vez, no caminho sem volta, desta louca, estranha melodia. 
É preciso antropofagia... uma mútua antropofagia.




Um comentário:

Anônimo disse...

Olá,

Bela imagem...
Até fiquei arrepiado, teso...

Beijos onde mais gosta.
J.