Não sou eu, mas bem que podia ser...
Abandonada ao total abandono, e o pensamento, preso em você.
Esta não sou eu, mas bem que podia ser...
E este gato na janela, pelo arrepiado, olhos molhados, corpo retesado, fome de carne no corpo, fome de sangue nas veias, fome de anima na alma, parece louco pra me comer... e as minhas pernas lentamente que se abrem para o receber...
Gato, quem de fato é voce? És quem eu penso? Bem que podia ser... Ou serás invenção minha? Bem que podia não ser...
Fazes-me tremer, dás-me fome na anima, faz-me querer, faz-me temer. Dás-me fome, muita fome...
Privada de anima na alma, depravada de carne no corpo, sedenta de sangue nas veias. Privada, sedenta, depravada, tenho fome, de tudo que me faz cheia.
Tenho a pele arrepiada, a carne depravada.
Fome de carne no corpo, de sangue nas veias, de anima na alma.
Preciso comer este gato e deixar ele me comer.
Único jeito de acabar com esta agonia
Perder-nos de vez, no caminho sem volta, desta louca, estranha melodia.
É preciso antropofagia... uma mútua antropofagia.

Um comentário:
Olá,
Bela imagem...
Até fiquei arrepiado, teso...
Beijos onde mais gosta.
J.
Postar um comentário