segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Da doce fúria amorosa

Nicoletta Thomas
 A fúria que sinto agora é outra. Já não é fúria endêmica, de mim para mim mesma.  É  uma fúria além fronteiras, terna, amorosa, interna.  Doce, ansiosa, desesperada, imantada. Fúria que invade-me os sentidos, inflando-me, arrepiando-me, enrijecendo-me.  Fúria furiosa que paralisa-me, desmaia-me ao fazer-me senti-lo dentro. Não há poro vazio, nem reentrâncias não preenchidas por teu molde perfeito, maior um pouco a marcar sua presença. Fúria amorosa demolindo memórias de lodo, acendendo tesouros escondidos por milênios.  Derreto-me na fricção e no calor desta onda sensual de cósmica energia, no respiro que me tira. Onda com rosto, corpo, gosto, cheiro, voz. Onda que me acaricia, abraça e me beija e me aperta e me sufoca e me tira o ar e me faz voar e me faz querer mais, onde o limite não aceita limitações, de nenhuma natureza, seja das dúvidas ou das certezas.  Exige presença, teu molde morno, pressão e fricção.  Exige tuas e minhas línguas de fogo, teu e meu líquidos viscosos que jorrem com a visão de tremor de lábios e de olhos molhados. Línguas a escrever versos sobre os corpos, a extrair palavras imperfeitas do sentimento perfeito. Nada é normal, só a loucura provando que a razão não tem razão. Agora sou toda pele, mucosa, pulsação.  Minha alma faz ponte entre a minha e a tua boca. Meu corpo  faz ponte entre a minha e a tua alma. Meu coração abraçado com o teu, pulsa vermelho e cheio,  entre as minhas coxas.   

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