segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sentes-me?

Quando as tuas madrugadas se avizinham, e as minhas noites, são jovens e ainda se iniciam,  será que ouves,  minha voz que te chama,  meus gemidos que soletram teu nome? Será que  sentes, nossas pélvis imantadas, a começar ritmadas, acabando-se descontroladas, grudadas, coladas, esfomeadas, desesperadas? Será que te acordam os batidos do meu peito, quando tremula e inundada, de sabores meus e teus, sinto um gozo indescritivel de mãos dadas a uma extrema frustração, tal qual gêmeos,  canção e lamento a gritar ao mesmo tempo? Será que os cantos e choros da minha noite alcançam as tuas  madrugadas? Será que sentes a mistura de pecado e de ternura em que te cubro durante a noite escura iluminada pela luz violeta dos mutuos desejos e da imaginação? Será que sentes, quando te sinto dentro, cheio, por inteiro, quando enlouqueço com a tua dança, e te suplico mais e mais, que me enchas, que se perca em mim, que me  afogues,  que quero mais?  Será que sentes, quando  te cavalgo meu lindo cavalo branco, louca agarrada nas tuas crinas,  unhas encravadas na tuas costas, em cio pelo teu cheiro, perdida entre teus pelos, será que me sentes, sonho meu,  louco, desesperado, abismo, céu, meu eu?  Será que de longe imaginas, meu lindo? Gosto de pensar que sim, mais que isso, preciso acreditar que sim, pois seria muito triste tanto amor para ti, sem tu a sentir.   Preciso acreditar que sim, que sentes tudo o que sinto, que tudo isso é mais que coisa absurda, loucura minha e só minha... Que é coisa de alma, de pele que não se esquece, de algo maior que presença fisica, algo que não se explica, só mesmo  a imaterialidade do ser de que tanto fala a física (a quântica, ou será a filosofia? não sei, e isso nem mesmo importa). Assim, a sentir-te diaria e noturnamente, que me pergunto continuamente: será que me sentes a sentir-te como penso que sentes, ou será que estou ficando louca? Se acaso disseres que sim, saberei então a que vim. Vim pra ti, e tão somente para ti. E então aceitarei minha loucura, desde que contigo compartilhada, plenamente justificada. Que prendam-me então, que prendam-me num asilo, pois se disseres que sentes-me, ficarei eternamente louca e feliz. Loucura e sanidade, gemeas univitelinas. Sanidade sem razão: só corpo, só alma, só coração. A unica  sanidade desejada.

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