quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O gesto


Como presente, queria dar-te algo novo, que de uma forma diferente, do meu cuidado te falasse.  Não, não queria dar-te mais um verso, pois que todos já são teus, e neles digo, sempre menos que a minha vontade. O que eu queria mesmo era dar-te um abraço, um abraço de mais que braços, abraço também de coxas, e um beijo, beijo que de tão completo, eu te parecesse medusa, com mais de mil bocas... Ah! bocas minhas, já há tanto tempo carentes, sempre tão sôfregas. Sim, se pudesse, dar-te-ia mil abraços, mil beijos, mil tudo, e muito além. Mas não te alcanço, nem mesmo quando em tua direção estico as mãos, e  toco apenas ao cansaço. Que posso então dar-te de concreto, algo de alcance maior para além dos meus versos, para além dos meus braços?
Tal qual ponte entre a palavra e a vida, dei-te então, um gesto.  Uma ponte para o horizonte do que é dito, concreto, prova que caminhas sempre ao meu lado. Um gesto pequeno é fato, um quase não-gesto, um símbolo, mas imenso de significado, imenso de coragem. Receba-o de peito aberto.  Não o tema, ao contrário, use-o como escudo, armadura, apoio, use-o como se fosse o meu próprio braço,  quando a dúvida e o receio, de ti, apossar-te de novo. Pois sou pequena de gestos, mas no caminhar ao teu lado, sou imensa de coragem. E isto é fato.

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