Mas no final, neste mundo de todo mundo, somos
apenas o que somos - sementes latentes, incapazes de ser árvores, paralisados
pelo medo da transformação, do novo, do grande, do incomensurável, do qual sabemos não haveria retorno. No final, somos
nada, pequenos botões incapazes de ser flor, de amor imensos, de vontade
inundados, mas de coragem, nada mais que
sementes, imensas de latência, mas tornadas
inviáveis ao serem jogadas pelo destino, em terra árida, gelada, semeadas no lugar e na hora
errada. Talvez seja melhor permanecermos hibernados lá embaixo, no
escuro e gelado (mas seguro) coração da terra - é longo o inverno - à espera, quem sabe, de uma nova estação - a
primavera de uma outra vida...Porque nesta vida que se acaba, o tempo que não para, traz a morte que não tarda, e estes, com certeza, não nos perdoarão.
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