sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meu reino

Não  sonho-te, vivo-te... Por  muito mais que quatro, muito mais que cem, anos tantos,  milênios, pois que no reino  em que vivo, o senhor deus não é o tempo,  é reino sem tempo  passado,  e o futuro nunca vem. Vivo-te em um reino perdido,  em algum lugar do espaço, alguma perdida galáxia,  onde reis não são soberanos, apenas  deuses profanos,  Eros, Vênus,  mais ninguém.Tu, eu, neste reino só nosso,  onde reina o amor, e  nós  seus únicos súditos.Cá  neste mundo de todo mundo, não vivo, apenas sobrevivo,  e desprezo os  pobres de espírito, ignorantes da liberdade da alma, que  riem-se  da minha expressão longínqua  por tantos séculos abraçada,  à tua companhia  invisível. Olho-os com desdém, pois neste mundo que vivemos,  vivo-te com tanta intensidade, mais do que qualquer das sólidas carnes,  presentes ao meu lado. Sim, prefiro a meu reino, mais que todos, este mundo encantado, real, não imaginado,  onde não toco teu corpo,  mas tenho mais, mais que tudo,  tenho a tua centelha preciosa,  tua energia vital, a energizar  a minha alma. E em silencio, rio-me internamente, dos que acham-me louca, porque nenhum tem o tesouro que tenho: Um reino só meu, só nosso, na galáxia do mais além, onde o amor,  embora seja tudo que tenhamos, é  também,  só do que precisamos.

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