O que faz com que um verso calmo, contido, nada mais que
um afago, uma fonte de alento, se transforme do dia pra noite, numa prosa desatada, apaixonada,
sem vergonhas, sem limites?
Qual a forca-motriz, qual a gota d’água?
O verso a fuga, a prosa travessia?
Meus dedos meu corpo, a folha aquele outro?
De repente, num crescendo constante, dois corpos
em doce luta amorosa, desgovernados, dedos e folha, entregando-se ao gozo no ponto
de não-retorno.
Apavora-me o descontrole da palavra.
Atrai-me a
luta,
E o gozo.
E o gozo.
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