Amo-o mesmo antes dele ou de eu mesma ter nascido, antes do tempo ser
tempo, antes de eu mesma ou ele ter sabido... Talvez venha daí aquela sensação de
(des) espera de sempre, sem saber o que,
como se nada que conhecesse fosse parecido...E não era, pois que ele era tudo
que os outros não eram... Emoção, centelha,
sensação indescritível, como
agora, que sei que existe em algum lugar desconhecido, e que me vem essa certeza de amá-lo para
sempre mesmo depois de eu ou ele ter
morrido...
“Pensamento vem de fora e pensa que vem de dentro, pensamento que expectora o que no meu peito penso. Pensamento a mil por hora, tormento a todo o momento. Por que é que eu penso agora sem o meu consentimento? Se tudo que comemora tem o seu impedimento, se tudo aquilo que chora cresce com o seu fermento? Pensamento, dê o fora, saia do meu pensamento. Pensamento, vá embora, desapareça no vento. E não jogarei sementes em cima do seu cimento” ( Arnaldo Antunes).
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