quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Chove hoje

Hoje não vou falar de amor. Acordei cansada e triste, talvez também, um pouco vazia. Me sinto calada também. Talvez não seja eu, talvez seja apenas porque esteja chovendo e o próprio dia me pareça cansado, triste e meio vazio. Assim, quando depois de uma enxurrada - daquelas fortes que chegam subitamente - lavam a cidade de tudo. Não apenas o lixo e a poeira das ruas, mas como também os carros, as pessoas e os cachorros sem dono. Tudo parece que some subitamente. Pergunto-me pra que servem os guarda-chuvas e pra onde vão os cachorros. E este silencio....de onde vem o silencio que se seguem às enxurradas? Não, não há nada de feio neste cenário. É bonito, sim. É cinza, silencioso, lavado. E um pouco triste também. Mas, é bonito.

De qualquer forma hoje meus dedos recusam-se a falar de amor. Meu corpo, diferente do costume, também não sente desejo. Tampouco escuto o som do coração. Talvez seja porque a dias não escuto música. Pergunto-me se a enxurrada também tenha lavado minha alma. Ou talvez, tenha a deixado mais limpa. Assim como a cidade. De repente, não sei o porque, mas me lembro do seu peito nu. Está como que tatuado na minha mente. Meu corpo responde com desejo. Tento afasta-lo e penso e divago....

Minha mente vagueia e me pergunto o que acontece com a alma da gente quando fazemos sexo. Supondo que a gente tem alma (uma vez li em algum lugar que a alma é aquela parte da gente que nos pergunta se temos alma)!. Supondo também que diferente de nós humanos (sic!) animais não tem alma, me pergunto o que toma conta deles quando fazem sexo. E quando a gente faz sexo “selvagem” ou “animal”. Não que eu tenha nada contra o sexo onde este é o senhor absoluto da cena - que fique bem claro. Gosto também. Tem espaço pra tudo em mim. Será que quando a gente faz sexo com extrema paixão, é a alma da gente que toma conta de nós, ou se é exatamente o oposto, fica em nós apenas o bicho que de uma forma de outra somos. Não sei...

Talvez não exista a resposta certa - sendo diferente para cada um de nós. Se é assim então, sinto a minha, ou pelo menos o de mais belo que ela possui, quando me penso fazendo sexo apaixonado. Sexo, animal ou não. Sexo – tarado, demoníaco, furioso ou romântico. Mas, sempre sexo, sexo com Ele, sempre com Ele. Será isso amor, paixão, ou obsessão? Alguma forma de neurose, talvez....Devo ser neurótica – é isso, simples!. Sou neurótica (talvez quem sabe sofro de Transtorno Obsessivo Compulsivo– tão na moda atualmente!) – que mais poderia ser eu me pergunto...

Mas me pergunto também, porque me pergunto estas coisas. Porque não apenas “ sinto” como um amigo uma vez me sugeriu. Porque não consigo evitar ler as letras miúdas do mundo como as da propaganda ou não apenas leio as manchetes dos jornais - em letras garrafais, brilhantes, chamativas...

Não sei nada. Só sei que hoje - hoje não vou falar de amor. Acordei cansada e triste, talvez também, um pouco vazia... Me sinto calada também. Ou talvez, tudo que eu tenha falado tenha sido de amor. Porque afinal de contas, amor é tudo sobre o qual consigo falar – mesmo quando me sinto calada.

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