Como um pássaro engaioladoNum cubículo te encontras
A saída, não consegues ver
Olhas em volta, muros altos
Dentro de ti, um mundo por cumprir
Abaixo de ti, lodo e escuridão
Não, não queres o lodo,
De novo não...
Melhor seria o lixo...
Como botar pra fora, o que teu coração clama?
Como expressar, o que teu corpo reclama?
Como dizer a alguém que a ama (mesmo que não...)?
Como apagar esta chama?
Como enganar, tua alma que te engana?
Olhas para o alto, vês o céu azul
Com ele promessas, de um vôo sem rumo
Teu corpo te prende, limita, sufoca
Acima no céu, o convite persiste
Mas sem possuir asas, como fazer?
Em silencio, olhas a alva página
Nua, como um convite
Qual o corpo de uma mulher que ama
Fazes então, das palavras asas
E em pássaro transforma-se o homem
E na branca folha, tua alma derramas
E a divagar, voas, libertas-te, te excitas
Extasias –te, sentes, vives
E te esvais, e te esvazias
Tua alma, numa folha de oficio...
Que vai depois para lixo...
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