
Esta noite eu quero te amar,
Tendo o infinito como tempo,
Amar-te do tamanho do mar,
Tempo e espaço a nunca acabar.
Meu respirar no teu respirar,
Nossos corpos se roçando,
Sentindo no pulsar o pedido,
Das carnes querendo abrigo.
Sentir teu aroma de maresia,
Teu Chanel quase morrendo,
Outros aromas nascendo,
União dos corpos,gemendo.
Passear minha língua em teu rosto,
Como onda que lambe a praia,
Em dias de maré alta,
Como beijo, sentindo teu gosto.
Serpente a percorrer o teu corpo
Teus caminhos, obscuros, às vezes tortos
Perdendo-se nos cantos escondidos
Extraindo-te gemidos.
Um mordiscar intermitente,
Pluma de passo hesitante,
Que ao vento voa errante,
Do destino final, não ignorante.
Levar-te ao paraíso prometido,
Ouvindo teus abafados gemidos,
Em súplica chamando meu nome,
Caindo-te em mim com fome.
Até que eu já de ti tão carente,
Tal qual flor carnívora e ardente,
Abrir-me-ei ansiosamente
Suplicando-te, me consome me alimente!
Molhada qual bruma,
Ardendo qual chama,
Peitos apontados pra lua,
Gemendo em voz rouca,
Ardendo em febre, toda nua,
Louca, pelo céu da tua boca.
Abrigarei então no esconderijo
Do meu sexo molhado,
O teu,
Tão rígido
E unidos, esfomeados, em cadëncia
Dançaremos ao som dos gemidos.
E então, corpos e bocas colados
Destino, dos montes o cimo
Sentindo, da eternidade o gosto
Do gozo supremo, da vida, o sentido.
É assim que esta noite eu quero te amar...
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