domingo, 1 de março de 2009

Pertencer

"Por dias, ela tentou, tentou muito, mas não conseguiu. Nenhuma das centenas de palavras que ela escrevera lhe parecera certas. E o medo, o medo a levou a acreditar que mais vale um silêncio certo que uma palavra errada. Trechos de autores celebres lhe vem a mente em torrentes e vagarosamente como num quebra cabeças começam a se encaixar...:
“Às vezes, pequenos grandes terremotos ocorrem do lado esquerdo do meu peito. Em mim há algo imóvel em permanente assombro". Simplesmente, não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo". "Alem disso, não há nada mais perigoso para a verdade do que as nossas “certezas”. “No entanto (e até isso ela tem medo de escrever), parece que tudo o que existe é de uma grande exatidão, embora nos seja tecnicamente invisível”. “O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição”.
E naquele dia, mais do que nunca, ela quis abraça- lo, e naquele dia, mais do que nunca, ela soube com certeza. Sozinhos, imperfeitos, juntos, a perfeição. Agora ela sabe...Ela quer pertencer".

(Escrito em 31 de março de 2008)

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