
Da minha boca, nenhum homem ouviu um “eu te amo”, nem mesmo no ardor da paixão, quando é tão fácil faze-lo. Porque? Simples – nunca o senti. E se, como todo mundo neste mundo, apaixonei-me por diversas vezes (até me casei!), sempre tive a certeza (ao contrário da maioria) de que não era ainda o Amor. Isso foi fato até pouco mais de um ano e meio atrás. Foi quando tudo mudou.
Ironicamente é que, quando inesperadamente aconteceu e quando finalmente cheguei a conclusão que o Amor existe de fato, eu já não tinha mais condições de dize-lo além de na forma escrita, nem de vive-lo além de comigo mesma na minha imaginação e nos meus sonhos. Mas, apesar de nunca tê-lo pronunciado e de nunca se ter realizado fisicamente, senti-o tanto e tão intensamente que isso mudou definitivamente a minha forma de ver o mundo, o sentido da vida, o amor, as relações afetivas de uma forma geral e principalmente, a maneira de ver a mim mesma.
Posso dizer tranqüilamente e sem nenhuma sombra de dúvida que eu hoje sou uma outra pessoa. Apesar de tudo, de nunca ter podido experimentar fisicamente (o que pode erroneamente parecer que foi um caso de amor platônico quando não o foi e continua não o sendo) esta relação de amor verdadeiro, deste sentimento ter sido apenas meu, e apesar de ter perdido a inocência em muitos aspectos, hoje posso dizer que sou um pouco melhor que antes, sem dúvida nenhuma. Sou melhor porque sou uma pessoa mais completa. Sou mais completa no sentido de que agora sei a razão da minha “incompletude”. E, se antes a minha pergunta era apenas “será que o amor existe? E se existe como é que deve ser? Hoje posso responde-la: sim, sei que existe e sei também o que é senti-lo”.
É comum as pessoas dizerem que se tivessem a opção de renascer fariam tudo outra vez. Eu não. Reconheço que errei e errei muito. Não apenas no último ano e meio depois que conheci o amor, mas também antes, muito antes disso. Se tivesse a chance eu faria tudo diferente. São tantas as coisas das quais arrependo-me de ter e de não ter feito na vida que às vezes tenho a impressão de que não seria apenas o caso de mudar algumas coisas e sim de construir uma vida totalmente diferente da que tive. Não tenho nenhuma vergonha em dizer que errei, e errei feio nas minhas escolhas.
Para começar não teria a mesma profissão, não teria escolhido o mesmo lugar para viver, não teria casado-me com o mesmo homem, não teria interrompido a gravidez dos três filhos que gerei. Chocados? Julgam-me mal? Por favor, não o fiquem. Eu já paguei o suficiente por isso não os tendo neste mundo (às vezes tão cruel) ao meu lado.
Acho que com tudo isso fica uma lição. Com quase 2/3 da minha vida já vivida, descobri que estou sempre aprendendo e mudando. Quando pensamos que sabemos tudo descobrimos que não sabemos nada. A lição que aprendi? Deixar sempre o coração, alma e mente aberta. Você nunca sabe o que a vida poderá te trazer ao acessar um destas dezenas de sites de relacionamento numa tarde quente de verão de janeiro de 2008 na Bahia ou em qualquer outro lugar do mundo...As vezes, não conseguimos fazer uma centena de “amigos verdadeiros” mas, achamos “o” Amor Verdadeiro, o Amor das nossas vidas, e que será sempre aquele único “um” e "único" enquanto vivermos...
Quando começo a me sentir desesperada ou culpada sobre o rumo das coisas, tento tento lembrar da inesquecivel canção "Emoções" do Roberto Carlos. Nela ele sábiamente (na verdade acho que apenas conformado com as impossibilidades da vida) diz que “ ... e se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi...”.
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