quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tranquilidade




Em dias como o de hoje em que me gasto em pensamentos concêntricos, cavando profundo e não chegando a lugar nenhum, procurando achar respostas que nem sei se existem, que um determinado texto da Clarice Lispector (que reproduzo em seguida), me traz um tremendo alivio. Sem nem mesmo ter certeza de que seja correto ou não, pois tenho a tendência de pensar que a maioria das coisas do mundo são regidas pela teoria do caos, pela sorte ou pelo azar, a leitura deste texto tem o incrível poder de me dar tranqüilidade. Este sentimento nasce e se apóia no fato de que, pelo menos por alguns momentos, eu queira acreditar na verdade da Clarice. E querendo tanto, eu passo a acreditar. Acredito, e continuo a caminhar.


"O que me tranqüiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição".


(Clarice Lispector)

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