sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Que procuro?



Se a mim tu perguntares

Porque continuo aqui vindo,

Ainda a falar-te de amor

E a deixar flores em tua porta

Mesmo que nunca sejam

Por ti recolhidas

Te direi – Não o sei

Nem a mim mesma mais eu pergunto

Faço-o como o expelir

Da lava de um vulcão

Por séculos pensado extinto

Mas, por ti, em ti, pra ti

Pra sempre agora - em plena ebulição

Faço-o sem pensar,

Sem planejar, só instinto

Como um relampejar,

Numa noite de verão

Mesmo que depois sinta apenas

Que mesmo a transbordar tanta energia

Gotejam me o espírito apenas

Gotas frias

No meio do calor das orgias

Trago te aqui minha alma

Aberta, escancarada

Sem enfeites e sem canção

Sem laços cor de rosa

Crua e densa como um aço

Mas transparente como cristal

Não, não sei - não sei porque o faço

Faço sem nada esperar

Já ouvi que tens o coração fechado

E o amor palavra inventada

Para embelezar o discurso

Não sei se falas o que sentes

Mas deixa me dizer te entretanto

O pouco que posso ver

No teu espírito irrequieto

E na tua alma atormentada

Nas palavras que tu vertes

Fala te de um fé em que não crês

Assim - continuo vindo

Ate que me digas - não

Não será a primeira vez

Matando me o coração

Morrendo por ti mil vezes

Como Fênix, renascendo das cinzas

Para uma minha nova re (invenção)

Não, não sei porquee que o digo, ou o porque o faço

Só sei que não é uma escolha

Minha vinda é por uma forca invisível, empurrada

A minha real essência por séculos forjada

Escondida, finalmente vejo me em ti

Palavras ásperas, em tua face dura e fria

Como numa face polida e espelhada

A minha alma (quem sem ti - vazia).

E tu vendado, em tua louca procura

Buscas na carne

O que só se encontra na alma

Venho talvez pra te dizer

Com uma pequena esperança talvez

Que me ouças sem tuas vendas

E de verdade consigas me ver

Meu amor, achei o que procurava

Quando a ti eu encontrei

E tu, meu amor, o que procuras?



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