quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Rsponsabilidade






Responsável és

Por meus desejos, meus tremores, meus suores

Por minhas viagens as estrelas

Por cada gota de fluidos íntimos que verto

Por cada estertor da minha carne

Por cada gemido, grito, sussurro

Por cada gozo do meu corpo e alma



Irresponsável és

Por não te dares conta

Do poder de sedução das tuas palavras

De como elas me envolvem como num abraço

De como elas me amam, me possuem gostoso

Prometem-me o paraíso...



Responsável és

Por eu ter achado, descoberto, o fim e o inicio de tudo

Por retirares as minhas camadas, e revelares o melhor de mim

Por me fazeres desejar e venerar o pecado

Ou melhor, por me fazeres descobrir

Que não há qualquer pecado no pecado...



Irresponsável és

Por não entenderes que cada palavra proferida

Deve ser nada mais que o invólucro mais fino

Dos teus pensamentos, teus desejos, teus sonhos

E que ao proferi-las, cria desejos,

Seduzes , induzes, fazem-me querer-te,

Fazes-te imprescindível

O fim e o principio de tudo

E a sua razão de ser



Irresponsável és

Não por deteres este poder,

És divino por isso, és como um Deus

Mas por não te dar conta dele,

Não te dar conta do caos que provocas

No meu corpo, na minha alma, na minha vida

Do teu poder transformador,

Ao mesmo tempo libertador e escravizador

Do teu poder de me dar vida ou de dar-me morte



És sim, responsável

Pela escravização dos meus sentidos

Que só a ti responde, que só a teus sussurros escuta, que só a tua tez sente

Que a teu cheiro sucumbe, que à visão do teu sexo enlouquece

Pela profanação dos meus princípios, por o virares pelo avesso

Ao divagares em sussurros

Transformando-os em sonhos loucos, fantasias, desejos



És responsável, sim

Por aquilo que cativastes

Redime-te agora

Pega na minha mao

Beija-me

Aperta-me

Possua-me

Traz-me de volta para onde pertenço

Que é junto a ti



Não me deixes fugir mais da tua chama

Não me deixes ir

Agora chega o momento

Seja docemente, loucamente irresponsável

Assumindo a responsabilidade pelo que tu causaste

Apaga este fogueira que acendeste e que recusa a ser apagada

Carrega-me contigo, abraça-me, possua-me, foda me

Faz me alcançar as estrelas que me ensinastes a ver

Faz me voar

Faz me viver

Não me deixe morrer...



Esperar-te-ei nua no quarto

E chegarás de mansinho, silencioso

Na penumbra

E nada precisara ser dito

Não ouvirás da minha boca nenhum outro som

Que não sejam os do amor

E então nos amaremos até ao amanhecer

E voaremos ate as estrelas

E então sairás,

Tão silencioso quanto chegastes...

E da tua irresponsabilidade

Não terás responsabilidade nenhuma...

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