
Responsável és
Por meus desejos, meus tremores, meus suores
Por minhas viagens as estrelas
Por cada gota de fluidos íntimos que verto
Por cada estertor da minha carne
Por cada gemido, grito, sussurro
Por cada gozo do meu corpo e alma
Irresponsável és
Por não te dares conta
Do poder de sedução das tuas palavras
De como elas me envolvem como num abraço
De como elas me amam, me possuem gostoso
Prometem-me o paraíso...
Responsável és
Por eu ter achado, descoberto, o fim e o inicio de tudo
Por retirares as minhas camadas, e revelares o melhor de mim
Por me fazeres desejar e venerar o pecado
Ou melhor, por me fazeres descobrir
Que não há qualquer pecado no pecado...
Irresponsável és
Por não entenderes que cada palavra proferida
Deve ser nada mais que o invólucro mais fino
Dos teus pensamentos, teus desejos, teus sonhos
E que ao proferi-las, cria desejos,
Seduzes , induzes, fazem-me querer-te,
Fazes-te imprescindível
O fim e o principio de tudo
E a sua razão de ser
Irresponsável és
Não por deteres este poder,
És divino por isso, és como um Deus
Mas por não te dar conta dele,
Não te dar conta do caos que provocas
No meu corpo, na minha alma, na minha vida
Do teu poder transformador,
Ao mesmo tempo libertador e escravizador
Do teu poder de me dar vida ou de dar-me morte
És sim, responsável
Pela escravização dos meus sentidos
Que só a ti responde, que só a teus sussurros escuta, que só a tua tez sente
Que a teu cheiro sucumbe, que à visão do teu sexo enlouquece
Pela profanação dos meus princípios, por o virares pelo avesso
Ao divagares em sussurros
Transformando-os em sonhos loucos, fantasias, desejos
És responsável, sim
Por aquilo que cativastes
Redime-te agora
Pega na minha mao
Beija-me
Aperta-me
Possua-me
Traz-me de volta para onde pertenço
Que é junto a ti
Não me deixes fugir mais da tua chama
Não me deixes ir
Agora chega o momento
Seja docemente, loucamente irresponsável
Assumindo a responsabilidade pelo que tu causaste
Apaga este fogueira que acendeste e que recusa a ser apagada
Carrega-me contigo, abraça-me, possua-me, foda me
Faz me alcançar as estrelas que me ensinastes a ver
Faz me voar
Faz me viver
Não me deixe morrer...
Esperar-te-ei nua no quarto
E chegarás de mansinho, silencioso
Na penumbra
E nada precisara ser dito
Não ouvirás da minha boca nenhum outro som
Que não sejam os do amor
E então nos amaremos até ao amanhecer
E voaremos ate as estrelas
E então sairás,
Tão silencioso quanto chegastes...
E da tua irresponsabilidade
Não terás responsabilidade nenhuma...
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